A HORA DE DEUS
- Fernanda Mendes

- 25 de ago. de 2019
- 8 min de leitura
Atualizado: 27 de ago. de 2019
Existe um momento na vida de todos nós - sem exceção - em que Deus nos olha e nos diz assim: "Meu filho, chegou a hora! Chegou a minha hora em sua vida."
Para você, qual seria esta hora?
Vamos juntos descobrir e aprofundar nesta hora?!"

Tenho certeza que muitos pensou que essa hora fosse a hora da nossa morte. Não é mesmo?!
Não, a hora de Deus a que me refiro nesta reflexão, são todos aqueles momentos vividos em fortes tempestades. De tristeza profunda. Aqueles onde o sofrimento parece nos consumir por completo. E quem de nós já não viveu ou viverá um momento desses? TODOS!
A questão está em como enfrentar esses momentos?!
Todas às vezes que decido publicar uma reflexão minha, eu fico pensando a quem esta reflexão vai alcançar e o que ela poderá causar na vida daqueles que ler.
Cada reflexão que você recebe, saiba que ela foi ou é fruto de uma experiência vivida na carne. Primeiro, eu reflito intimamente no tema. Cresço com ele. Depois penso se esta fará algum bem a mais alguém. Daí decido publicar ou não.
Gostaria muito de saber como verdadeiramente você se encontra hoje e quais são as lutas que enfrenta no tempo presente. Mas não sei...
Porém, a você que possa estar passando por algum momento difícil em sua vida neste momento, seja ele em qual área for da sua vida, se estás a chorar por algo e sente que seu barco está afundando, tenho algumas palavras especialmente para você.

Viver é uma batalha dia após dia. Em como toda batalha, há quedas e há vitórias. Você precisa entender isso: viver é guerrear!
E se nesta guerra você hoje possa se encontrar na derrota, preste atenção, SÓ SERÁ DERROTA SE VOCÊ DEIXAR. Você pode estar no chão, no fundo do poço hoje ou no meio de uma forte tempestade, mas se você tomar a decisão de usar deste momento para lhe fazer ainda mais forte, você não é e não será um derrotado jamais. Pelo contrário, "serás mais que vencedor, por aquele que nos amou"- Romanos 8.37, como nos relevou São Paulo.
Recentemente, conseguir entender através da leitura de um livro, com profundidade esta expressão "mais que vencedores", de São Paulo.
Para mim, "mais que vencedores", significava vitória de sobra. Mas com a leitura deste livro - e justo no momento de forte tempestade que vivia -, comecei a desvendar os meus olhos e compreender que nos momentos de fortes tempestades que vivemos, Deus nos convida permitir que Ele inicie o seu "tratamento espiritual" em nossas vidas.

No universo esportivo, não há dois patamares de vitória (do "vencedor" e o do "mais que vencedor"), vencedor é o que há de mais elevado. Ou vencemos ou somos derrotados. Mas na vida espiritual, "mais que vencedores" significa que, além de vencermos a batalha, superarmos as tempestades, no fim dela seremos algo a mais! Não só terminaremos como vencedores, mas também seremos algo a mais se deixarmos Deus usar desta hora, "a hora de Deus", para operar em nós o seu tratamento. Por que considero os momentos de crises que vivemos a hora de Deus? Porque Deus é especialista em transformar a dor em amor. O sofrimento em crescimento. A cruz em salvação. Nesses momentos, se formos dóceis a este "tratamento", o Senhor produzirá em nós um amadurecimento profundo, pois o nosso caráter é aperfeiçoado e enriquecido em meio às adversidades. Crescemos muito na dimensão do amor, da mansidão e da humildade nesses momentos.
"Nos gloriamos até das tribulações. Pois sabemos que a tribulação produz a paciência, a paciência prova a fidelidade e a fidelidade, comprovada, produz a esperança. E a esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santos que nos foi dado." - Romanos 5. 3-5
Na tempestade, não temos mais disposições para orações superficiais. Simplesmente gritamos pelo socorro de Deus assim como fez os discípulos com medo do barco em que estavam afundar, por viverem naquele momento uma forte tempestade em alto mar:
"Mestre, acorde! Não te importa que pereçamos?"
Gosto de pensar que Deus tem um propósito por trás de cada adversidade. Gosto de acreditar que Ele usa as circunstâncias para edificação do nosso caráter, do desenvolvimento dos nossos músculos espirituais e das nossas fibras morais.
As circunstâncias da vida são temporárias, mas o nosso caráter é eterno. É importante não perdermos isso de vista jamais.

Confie em Deus. Dependa d'Ele. Se você deixar, Deus pode fazer o bem aflorar na pior adversidade. Ele fez isso no Calvário. Lembra-se?
Se você se sente hoje sozinho, perdido, cansado, desesperado, sem esperança, abandonado, rejeitado, magoado, frustrado, em luto, ferido ou enfermo, saiba que você nunca saberá que Deus é tudo que você precisa ATÉ que ELE seja tudo que você tiver. E por isso mesmo eu entendo esses momentos de fortes tempestades que vivemos, como "A HORA DE DEUS".
Jesus está na sua barca, confie! Mesmo que Ele pareça dormir, Ele está...
Tudo que acontece com você tem significado espiritual. Tudo!
"Quando não compreendemos a dor, ela nos dilacera. Quando entendemos seus fins, ela nos aperfeiçoa."
Fácil isso? Não mesmo!
Quando aceitamos este convite de deixar Deus usar-se desses momentos difíceis em nossas vidas, aceitamos o desafio para entrarmos em uma faculdade. Onde a sala de aula é o Calvário. O professor é a Cruz. E as matérias são sobre: abandono, o sentido da cruz e do sofrimento quando unidos à Cruz de Jesus, amar sem medida e sem nada receber, humildade, paciência, esperança, servir, doar-se...

Agora, são poucos, mas poucos e tão poucos os que aceitam este desafio.
Um dos mais importantes sociólogos da modernidade, é o Zygmunt Bauman. Ele é o autor da obra intitulada como "A modernidade líquida". Seria o momento histórico que vivemos atualmente, em que as instituições, as ideias e as relações estabelecidas entre as pessoas se transformam de maneira muito rápida e imprevisível:
“Tudo é temporário, a modernidade (…) – tal como os líquidos – caracteriza-se pela incapacidade de manter a forma”. Diz Bauman.
Bauman explica que há duas das características da modernidade líquida: "são a substituição da ideia de coletividade e de solidariedade pelo individualismo; e a transformação do cidadão em consumidor. Nesse contexto, as relações afetivas se dão por meio de laços momentâneos e volúveis e se tornam superficiais e pouco seguras (amor líquido). No lugar da vida em comunidade e do contato próximo e pessoal privilegiam-se as chamadas conexões, relações interpessoais que podem ser desfeitas com a mesma facilidade com que são estabelecidas, assim como mercadorias que podem ser adquiridas e descartadas. Exemplo disso seriam os relacionamentos virtuais em redes."
Um assunto muito interessante que recomendo que você estude mais depois. Pois ele de certa forma, trás à luz o motivo pela qual esta geração não consegue suportar os sofrimentos e por isso mesmo, tende-se facilmente e rapidamente a tentativas de fugas ou de vitimização nesses momento.
Nossos jovens não sabem e não estão preparados para lidar com a dor, com as frustrações, com as decepções, com as tempestades...
As fugas são diversas. Alguns buscam novas "âncoras" para se apoiarem, que vai desde a utilização de drogas (seja elas quais forem) a envolvimento afetivo com alguém, etc. Há outra parte que usa-se destes momentos para revoltar-se contra Deus, ou para se vitimizar ainda mais. Se posicionam como coitados, como vítimas; enchendo-se de murmurações e negativismos. Eu entendo que nesses momentos essas opções gritam diante de nós e nos parecem ser as melhores. Podem ser as mais confortáveis, mas acredite, essas não são as melhores opções.
Se mesmo assim muitos escolhem por estas opções, que pena! Esses perdem uma bela oportunidade de crescimento e de graça. E não é isso que eu quero para você e para mim.

Já que o sofrimento e dias ruins são inevitáveis para todos nós, porque não deixar Deus operar em nós o seu "tratamento espiritual" nesses momentos?
O sofrimento quando vivido nos braços d´Ele e só d´Ele, nos amadurece demais! Você cresce mil anos em 1 dia. Porque tudo é intenso! E de quebra, até nos deixa mais leves e mais belos. Bonito mesmo! Porque esta beleza vem de dentro, brota de uma alma transformada após a tempestade. Basta contemplar a face de santos como Madre Teresa de Calcutá, João Paulo II e tantos outros e entenderás.
De novo: fácil? Não é nada fácil abraçar à dor, mas a graça de Deus nos sustenta. Busque ajuda sim, ajuda espiritual, ajuda médica (se preciso for), ajuda de um amigo..., mas não busque suas fugas quando o sofrimento e o vazio chegar. Vazio não se preenche com vazio. Busque e se jogue desesperadamente nos braços do Pai. Deixa Ele curar seu coração ferido.
Quando um cristal quebra, já era! Mas para Deus, e somente Ele pode juntar os pedaços desse cristal espedaçado e reconstruir um cristal ainda mais forte, mais puro e mais belo. Deixa Deus preparar tua alma e coração para novos tempos e novas graças. Viva a experiência de abandonar-se aos pés da Cruz - mesmo sangrando - e dizer:
"Eis-me aqui Senhor! Se possível, afasta-se de mim este cálice, mas que seja feita a tua vontade e não a minha".

Ser forte não é aquele que não cai, mas aquele que levanta sempre, com humildade e com uma santa teimosia.
Uns dos Salmos que mais gosto é o Salmo 17. Especificamente o versículo 29-30. Assim canta o salmista:
"Senhor, sois vós que fazeis brilhar o meu farol, sois vós que dissipais as minhas trevas. Convosco afrontarei batalhões, com o meu Deus escalarei muralhas."
Na versão oficial latina dos Salmos, que buscou a plena fidelidade ao original hebraico, lemos esta parte do Salmo "Com o meu Deus escalarei muralhas", assim: in Deo meo transiliam murum, literalmente: “Unido ao meu Deus, saltarei o muro”.
Então meu querido (a) leitor (a), eu não sei qual a tua luta do momento presente. Eu sei das minhas lutas. Que pode ser uma luta totalmente diferente da sua. Contudo, sua força e seu alvo são os mesmos para mim, para você e para todos os cristãos: Nossa força é Cristo e nosso alvo é o Céu. E para chegarmos lá, precisamos passar por esta faculdade...
Eu sei, eu te entendo que há momentos que queremos fazer como o salmista:
"Há se eu tivesse asas como a pomba, voaria para um lugar de repouso; ir-me-ia bem longe morar no deserto. Apressar-me-ia em buscar um abrigo contra o vendaval e a tempestade." Salmo 54. 7-8

Mas somos soldados de Cristo e o temos em nossa barca! Portanto, não desista! Seja fiel a tua luta, ainda que pareça avançar pouco ou nada. Salta o muro aquele que não abandona o barco apesar dos perigos do naufrágio. Salta o muro quem persevera em lutar para fazer o bem sem olhar a quem; e fazer o que Deus inspira em vossos corações - mesmo que você não possa ver os resultados imediatos, Deus lhe dirá: _ você obteve o melhor "resultado "porque você soube amar, ser fiel - mesmo falhando - você venceu a batalha!
Não desista da sua família e daqueles que você ama. Não desista dos sonhos que Deus colocou em seu coração. Não desista do céu. E por vezes parece que nossa luta é em vão, nosso esforço, nosso choro..., mas não é em vão. Mas escute bem o que vou lhe dizer: as vezes a batalha não é ganha não porque nós não lutamos ou desistimos, mas por causa do nosso abafamento e desespero em querer ver logo a vitória, nos colocamos ou na frente ou no lugar de Deus nesta luta, e não O deixamos lutar por nós. Deus as vezes não acha espaço para lutar conosco ou por nós... Então reflita, talvez o que Deus precise neste momento é que você ceda espaço para que Ele lute. Sair da frente e "ficar quietinho" - em oração - por vezes é tudo o que Deus precisa para que esta batalha seja ganha e a tempestade cesse.

Reflexão longa essa não é mesmo?!
Mas porque é profundo demais este mistério de aprendermos a viver bem os momentos de tempestades - "A Hora de Deus". É fácil dizer que Deus é lindo e maravilhoso e que você o ama nos dias de sol e bonança. Mas dizer e viver isso em dias de tempestades, no abandono, na perda, na solidão e no deserto, mostra quem é quem.
Espero verdadeiramente, que você saiba usufruir bem desta reflexão. Não lhe escrevo daquilo que ouvi, li ou vi. Mas daquilo que vivi, vivo e ainda viverei por muitas vezes.
Quando unimos o nosso sofrimento à Cruz de Cristo, Ele nos ensina a transformar a dor em amor, em doação, em serviço, em vida plena e abundante. E são nesses momentos que verdadeiramente sentiremos uma paz e alegria interior que não se conseguirá explicar jamais em palavras, apenas se sente...
Boa semana a todos!
E se você enfrenta uma tempestade hoje, viva bem esta hora, "A Hora de Deus" para você..., e no final você não só sairá vencedor, mas como mais que vencedor!
Com carinho e amor,
Fernanda Mendes






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