ONDE ESTÁS?
- Fernanda Mendes

- 2 de set. de 2019
- 7 min de leitura
Atualizado: 8 de set. de 2019
Há algum tempo ouvindo uma palestra no TED, o palestrante fez uma pergunta que me provocou a pensar. Ele perguntou: “O que mais tem te cansado?”
E sabe o que eu vou fazer agora, neste exato momento? Acertou quem pensou: “ela vai me jogar esta mesma pergunta, quer ver que vai?!”
Sim, acertou em cheio. Pois vou mesmo!
Hoje faço esta pergunta a você: O que te cansa? O que tem te estressado? O que tem te tirado a esperança? O que tem te deprimido? Te angustiado, preocupado e desanimado?

Alguém poderia dizer:
"Tenho de cuidar de minha sogra; ela mora comigo e está doente. Estou tão cansado de cuidar dela”. Outro poderá dizer: “O que me cansa é meu marido que bebe; é o meu filho que não estuda ou é drogado; é minha mãe que nunca me compreende”. E alguns vão dizer: “É meu trabalho que odeio; é meu chefe que é um chato.” Ou: “é essa busca sem fim por um emprego e nada surge”. Enfim, são só alguns exemplos.
Mas antes de seguir com a leitura, quero levar você a fazer esta experiência de parar por um momento e responder pra você mesmo: O que tem me cansado? O que tem me tirado a esperança? O que tem me deprimido? Me angustiado e desanimado?
Respondeu? Se não, acho importante você se permiti refletir sobre isso para ter claro o que vem gerando todo stressee cansaço dos últimos tempos na sua vida.
Se já respondeu, ótimo! Vamos voltar para nossa leitura.
É certo que por vezes enfrentamos por problemas pessoais, sociais e profissionais. Problemas que nos geram muitos desgastes e nos tiram o sono. É certo que a rotina por vezes nos cansa e nos rouba o entusiasmo. Eu entendo que tudo isso te cansa demais. Contudo, quero lhe dizer uma coisa muito importante que descobri ao aprofundar ponto por ponto nas razões que hoje vem cansado tanta gente, mas que não estão ligadas há fatores externos. Mas, unicamente a você. Ou seja: você é o único culpado pelas razões de todo seu cansaço. Mas, também, o único responsável pelas soluções.

Diante das minhas próprias experiências e com toda a minha observação do outro, da sociedade em geral, consigo ver uma causa que nos geram um grande cansaço, e que poucas vezes são compreendidas por quem vive, justamente por faltar esta clareza daquilo que realmente acontece conosco, motivando todo este esgotamento físico e mental.
O que nos cansa, o que nos estressa são as constantes lutas que temos que travar dentro de nós mesmos. Daí a importância do autoconhecimento. Pois é nessa medida que vamos nos conhecendo e, mais do que isso, nos aceitando, é que nossa vida vai sendo tomada de serenidade, paz, fecundidade e de muito amor. Esta paz e serenidade são frutos de um olhar que começa a nascer de dentro de nós a partir do momento que decidimos descer e enxergarmos-nos através da lente da COMPAIXÃO e da MISERICÓRDIA.
Quando disse acima que na medida que vamos nos conhecendo e, mais do que isso, nos aceitando..., não estou lhe dizendo da aceitação de conformidade. Mas da aceitação da realidade. Do reconhecer. Já diz bem um ensinamento:
“Aquilo que é oculto eu não posso fazer nada. Aquilo que é consciente é trabalhável.”
O CANSAÇO DE MUITOS TEM COMO CAUSA ESTA AQUI:
ESCONDER-SE DE DEUS

Não sei se você já fez a experiência de ler o livro de Gênesis. Mas mesmo os que não fizeram, sabem de “có e salteado” o relato da criação do universo – a origem de tudo.
Logo no início de Gênesis conseguimos ver a seguinte cena (ilustrada por mim a seguir, de forma lúdica só pra não perdermos o humor de sempre rs):
Deus, diariamente, todo feliz e radiante, indo tomar o café ou o chá da tarde com Adão e Eva no jardim. Mas um dia Ele chegou no jardim e estranhamente não encontra seus companheiros pro chá da tarde, Ele então fez a seguinte pergunta: “Onde estás? Tu, que vinhas correndo todos os dias para me ver, para estar comigo, onde estás agora? Por que não corres?”. Adão, escondido e com “as calças cheias” respondeu: “Ouvi o barulho de teus passos, tive medo, porque estou nu e ocultei-me”.
Aqui está a razão do cansaço de muitos: “Tive medo do barulho dos Teus passos e, porque estou nu, escondi-me”.
Adão se sentiu inseguro. Teve medo e se escondeu porque experimentou sua miséria humana. Sua desobediência. Sua malícia. O pecado faz isso conosco, nos leva a escondermos-nos de Deus. Esconder-se de Deus era na verdade não aceitar sua realidade de miséria humana naquele momento; era esconder-se da verdade que o envolvia. Tá certo que foi Eva que lhe ofereceu do fruto proibido. E Adão fez isso mesmo, tentou jogar na cara de Deus mais ou menos assim:
“Tá vendo, foi esta mulher que me destes, que me ofereceu do fruto proibido”.
É inevitável ler e entrar dentro desta cena e não trazer à tona a quantidade de vezes que agimos exatamente assim, feito Adão: esquivando, justificando e projetando.
Não existe isso no relato de Gênesis, mas é como se tivesse lido Deus dizendo assim pra Adão:
“Olha Adão, depois eu resolvo com Eva o problema de Eva. Da serpente o problema da serpente. Mas agora meu problema é resolver o problema de Adão.”
Um dia atendendo um cliente em seu processo de coaching, ele me fez a seguinte pergunta: “qual era a diferença da autopiedade e da compaixão”.
Pergunta bem surpreendente, mas que não hesitei em respondê-lo:
“As duas coisas fazem a mesma coisa: te levam pra onde dói. Porém, na primeira (autopiedade) você vai sozinho e ela te deixa na dor. Na segunda (compaixão) você vai acompanhado, e ela te leva pra cima da dor”.
Ou seja: a autopiedade é um sentimento que te aprisiona na dor, te torna uma eterna vítima, te enche de justificativas e transforma seu coração num poço de mágoas e rancores. A compaixão por sua vez, é o sentimento que te impulsiona - mesmo na dor - a aproximar-se, a descer, reconhecer a realidade que dói e restituir-se. Porém, você faz isso de um “degrau” superior.
E nós só conseguiremos chegar neste “degrau” superior quando o nosso olhar estiver envolvido no olhar de Cristo e nossas mãos entrelaçadas nas mãos de Cristo.

Precisamos do Divino pra conseguirmos enxergar o nosso humano aos olhos da compaixão que nos leva a compreender que somos muito mais que aquela dor; aquele momento e aquele cansaço. Compaixão é a misericórdia de Deus que alcança nossa miséria humana. E acredite: nós precisamos deste alcance todos os dias.
Autopiedade é ir sozinho na dor. Compaixão é ir com Cristo na dor.
É a compaixão que nos permite restituir nossa imagem e dignidade de filhos de Deus. É a compaixão a viela mais perfeita e eficaz para que a cura de nossas emoções, feridas e dores, aconteça. Pois toda cura emocional inicia-se pela compaixão de si mesmo. É daí que nasce o nosso olhar de compaixão também para com o outro (um tema que abordarei com profundidade em breve em nossas reflexões).
Pense bem: Adão teve autopiedade ou teve compaixão de si?
Agora, imagina a quantidade de energia que Adão precisou gastar ao se esconder de Deus? Imagina o nível do stress e do esgotamento físico, moral e psicológico que Adão passou? Imagina o cansaço que ele sentiu ao carregar o medo? E o pior, em vês de ir logo ao encontro de Deus e desesperado reconhecer seu erro e assumir a culpa, ele não... se esconde, mas quando Deus o encontra, Adão projeta em Eva toda a culpa e responsabilidade.
Nós agimos assim meus queridos...
Fugir de Deus cansa. E sabe por quê? Porque o nosso coração só encontrará descanso no coração de Deus. Negar isso cansa! Viver como se Deus não existisse cansa, e se nada for feito, será um cansaço eterno longe de Deus...

Deus nos criou para a vida eterna. Para o céu! E pra chegar até lá precisamos ser santos. Ser santo não é aquele que nunca pecou, mas que soube esgotar em si toda a sua capacidade de amar, de lutar contra todo e qualquer pecado que o afastasse de Deus. Quanto mais pecamos, menos amamos. Quanto mais amamos, menos pecamos. Mas eu falo de Amor. Amor é entrega. É doação. É sacrifício. É renúncia. O pecado pesa e pesa tanto, que somente Cristo pode carregar este peso e pagar por esta culpa. Ele já fez isso por você!
Agora, a santidade muito custa: os prazeres deste mundo que nos levam a pecar. Mas muito nos vale: a vida eterna.
A tacada mais sutil e eficaz do inimigo de Deus e levar a nós, seus filhos, viver como se o céu não existisse. E como ele faz isso: Pelos prazeres deste mundo. Ele teve a cara de pau de fazer isso com Jesus, lembra? Imagina se ele não fará o mesmo com você e comigo? Uma vez entregues a estes prazeres que começam sutilmente, perderemos de visto o céu, porque entraremos numa cegueira espiritual que nos faz ver o errado como certo e o certo como o errado. O belo como feio e o feio como o belo. O pecado nos tira a capacidade de contemplar o belo. Pimba: gol pro inimigo de Deus que nesta hora cospe na cara de Jesus chagado na cruz dizendo-o: seu sacrifício de nada valeu!
Veja bem meu amigo, Deus podê te criar sem você! Mas Ele não pode te salvar sem você!
Então, coragem! Cristo venceu o mundo!
Eu sei bem que somos alcançados e feridos por tantos males que outros nos fazem. Mas os piores males são os que nós mesmos geramos em nós. Nós temos a decisão de romper com isso ou prosseguir com isso. E a melhor forma de romper ou prosseguir... bem, acredito, que isso já tenho ficado claro em seu coração ;)
E pra finalizar, imagine que neste exato momento Deus te lança esta pergunta: "onde estás agora?"
Você vai se esconder? Ou vai revelar pra Deus onde estás? Vai ficar no lugar onde está ou vai subir no "degrau" superior?
Eu sugiro que você não se esconda, mas que aceite ao convite d´Ele:
"Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas. Porque meu jugo é suave e meu peso é leve." - Mateus 11.28-29
Por hoje é isso meus queridos. Aqui não tem leitura curta e superficial não. Como disse lá em cima: superficialidade é para os fracos e imaturos.
Um beijo em seu coração e uma semana maravilhosa para todos nós!
Com carinho e amor,
Fernanda Mendes
p.s. Haaaa, antes que me esqueça: quando Deus nos lança esta pergunta "onde estás", não é porque Ele não venha a saber. Deus tudo ver, tudo sabe. Mas é pra nos dar a oportunidade de descermos no mais íntimo de nós mesmos e lá, reconhecermos a nossa verdade.






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