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A MONTANHA DA MINHA VIDA

  • Foto do escritor: Fernanda Mendes
    Fernanda Mendes
  • 22 de jul. de 2021
  • 6 min de leitura

Atualizado: 22 de jul. de 2025


"Viste por ventura o amor de minha vida?"

Há 14 anos vivi a experiência mais mística em minha caminhada de fé até aqui. Em 2011 viajei para Europa no período de férias. Naquele momento da minha vida me encontrava muito distante de Deus e distante de mim mesma. Sabiamente disse Santa Teresa de Jesus (d'Ávila) ao enfatizar que a busca por Deus e o conhecimento de si mesmo são processos intrinsecamente ligados.


Viajei com um grupo de jovens para vivermos a experiência da JMJ (Jornada Mundial da Juventude) de Madrid, éramos um grupo grande, uns 90 por aí. Já com o grupo reduzido a umas 11 pessoas prolongamos nossa viagem pela Europa depois da JMJ.


Visitei lugares que marcaram profundamente a minha vida. Lugares como as Basílicas maiores de Roma: Basílica de São Pedro, Basílica de São Paulo Extramuros, Basílica de São João de Latrão e a Basílica de Santa Maria Maior. Na Basílica de São Pedro pude visitar e rezar nos túmulos de São João Paulo II e São João XXIII dentre outros na cripta de São Pedro. Ir a estas Igrejas é uma experiência inexplicável de fé!


Pude também visitar Assis, terra de São Francisco de Assis, uns dos santos de minha devoção. Visitei também o convento e a casa onde morreu Santa Clara de Assis, uma Santa que soube ali o quão fantástico foi sua vida e seu amor a Cristo. Assis, um lugar que desejo muito retornar e ali ficar com mais tempo e calma!


Sem contar a experiência de visitar Lourdes e mergulhar na história contida naquele lugar e conhecer ali mesmo a história de Santa Bernadette Soubirous. Porque uma coisa é você ter conhecimento de uma história contada a quilômetros de onde tudo realmente aconteceu, e outra coisa bem diferente é poder conhecer a história estando ali onde tudo aconteceu. É fantástico, é surreal, é místico! E foram muitas outras experiências vividas nesta viagem, mas aqui destaco uma que mudou radicalmente minha vida. Estar na gruta de Santa Maria Madalena.


Esta gruta é zelosamente guardada por um mosteiro de frades dominicanos (Santa Maria Madalena é a padroeira da ordem). E segundo a tradição, após o Pentecoste onde Jesus ordenou aos seus discípulos que partissem para o mundo a fim de proclamar o Evangelho, Maria Madalena teria ido evangelizar na França. E por causa da perseguição que sofreu, se refugiou em uma gruta no alto de uma montanha.


Era uma manhã de sábado quando visitei este lugar. O dia estava providencialmente como hoje: um dia lindo de sol fresco e com um vento delicioso, um dia ideal para uma caminhada na montanha. Só que aquela montanha não se tratava de qualquer montanha, era a montanha da minha vida. Só um tempo depois fui ter a clareza de que aquele lugar se tornaria o início de um processo de cura, de autoconhecimento e de conversão na minha vida. Assim como aconteceu com a própria Maria Madalena ao encontrar-se com Jesus. (Lucas 8).


Comecei a subir a montanha por trilhas estreitas, rios transparentes, florestas de faias e carvalhos. No início da caminhada fui tentando conversar com um simpático casal francês que nos acompanharam durante nossa estadia em Toulon, percebi ali o quanto o meu inglês estava horrível. Sorte minha que eles falavam um pouco de português (diga-se de passagem, que jamais esquecerei deste casal e seus três filhos), mas quando percebi que meu inglês já não conseguia ir mais adiante na conversa e que o português deles também não, procurei continuar minha caminhada em silêncio e mais afastada do grupo, porque sentia a energia amorosa daquele lugar, seja pela fé dos peregrinos que passaram por ali durante 20 séculos ou porque Maria Madalena realmente meditou e orou naquele lugar e fez aquele mesmo caminho. O fato é que ali há toda uma atmosfera de amor e recolhimento que preenchia o meu coração, e eu não queria perder nenhum momento, nenhum detalhe. Algo em mim já acontecia...

Ao chegar no topo da montanha onde fica a gruta, eu me lembro de imediato ir contemplar o horizonte, sentindo aquele vento forte e mais frio sobre mim do que estava quando começamos a caminhar. Fiquei ali por alguns poucos segundos porque queria entrar logo na gruta e saber que lugar era aquele que me trazia tanta ansiedade e desejo de estar ali.

Ao entrar na gruta logo fomos recebidos por um frade muito atencioso, com voz mansa e serena e que só de olhar-nos já nos transmitiam uma paz sobrenatural. Ele ia passando calmamente pelos seis lindamente vitrais que mergulhavam na história de Maria Madalena com Jesus. Na medida que passava lentamente meu olhar para cada vitral e ouvindo o frade, desejava decididamente a viver minha história de amor com aquele Jesus. Ali eu percebi que eu ainda não conhecia Aquele Jesus, porque quem o Encontra, o Conhece, deixa tudo o que é velho pra trás, encontrar com Ele é encontrar e descobrir uma vida nova, é desejar arduamente ser Santo. E naquele dia eu tomei esta decisão pela primeira vez, mesmo com as minhas misérias e fraquezas. E soube ali que o caminho da santidade está na intimidade com Jesus. A partir daquele dia, nasce em meu coração um forte desejo de intimidade que não cessa. De ser assim como Maria Madalena, íntima do coração de Cristo. E ela se tornou minha amiga nesta caminhada de intimidade por meio de sua intercessão e exemplo.

Dentro daquela gruta eu vivi uma contradição de sentimentos e pensamentos, ali eu tive consciência do vazio que me encontrava longe de Deus, da vida de pecados que me acorrentavam. Da vida fútil apegada ao material e as coisas deste mundo. Mas estar ali, naquele lugar, tive também a consciência do tamanho da misericórdia que jorra do coração de Jesus, sobretudo para com os mais pobres, mais fracos, mais feridos… Eu encontrei uma paz profunda e uma certa pergunta que me incomodava há alguns anos já não mais me assustava desde aquele dia.


Ao despertar hoje, logo lembrei-me de ser o dia de Santa Maria Madalena. Esta que foi e continua sendo fundamental para minha conversão. E ao fazer minha lectio divina hoje e também a oração das Laudes da Liturgia das Horas, me senti profundamente agraciada, emocionada e feliz por saber hoje explicar os porquês de Santa Maria Madalena ser minha Santa predileta, porque Deus me chama a ser íntima Dele. Pois um relacionamento maduro e frutuoso passa pela intimidade. Sim, Deus a escolheu para ser minha amiga e para me guiar até o Céu pelo caminho da intimidade.


Eu nunca mais fui a mesma desde aquele 27 de agosto de 2011.


"Subir a montanha da minha vida, na subida removi pedras, na descida plantei flores." Cora Carolina

Evangelho do dia 22/07/2025: João 20,1-2.11-18


No primeiro dia que se seguia ao sábado, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manhã cedo, quando ainda estava escuro. Viu a pedra removida do sepulcro. Correu e foi dizer a Simão Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava: "Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram!" Entretanto, Maria se conservava do lado de fora perto do sepulcro e chorava. Chorando, inclinou-se para olhar dentro do sepulcro.

Viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde estivera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. Eles lhe perguntaram: "Mulher, por que choras?" Ela respondeu: "Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram".

Ditas estas palavras, voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não o reconheceu.

Perguntou-lhe Jesus: "Mulher, por que choras? Quem procuras?" Supondo ela que fosse o jardineiro, respondeu: "Senhor, se tu o tiraste, dize-me onde o puseste e eu o irei buscar".

Disse-lhe Jesus: "Maria!" Voltando-se ela, exclamou em hebraico: "Rabôni!" (que quer dizer Mestre).

Disse-lhe Jesus: "Não me retenhas, porque ainda não subi a meu Pai, mas vai a meus irmãos e dize-lhes: ‘Subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus’".

Maria Madalena correu para anunciar aos discípulos que ela tinha visto o Senhor e contou o que ele lhe tinha falado.


Hino da Oração da Liturgia das Horas - Laudes


"Luminosa, a aurora desperta e o triunfo de Cristo anuncia.
Tu, porém, amorosa, procuras ver e ungir o seu Corpo, ó Maria.
Quando o buscas, correndo ansiosa, vês o anjo envolvido em luz forte; ele diz que o senhor está vivo e quebrou as cadeias da morte.
Mas amor tão intenso prepara para ti recompensa maior: crês falar com algum jardineiro, quando escutas a voz do Senhor.
Estiveste de pé junto à cruz, com a Virgem das Dores unida; testemunha e primeira enviada, és agora do Mestre da vida.
Bela flor de Mágdala, ferida pelo amor da divina verdade, fazer arder o fiel coração com o fogo de tal caridade.
Dai-nos, Cristo, imitarmos Maria em amor tão intenso, também, para um dia nos céus entoarmos vossa glória nos séculos. Amém."

Desejo do fundo do meu coração que ao ler este meu testemunho, possa nascer em seu coração este mesmo desejo de intimidade, de ter um coração íntimo de Cristo. Na intimidade o amor é transformador.


Santa Maria Madalena, rogai por nós!



 
 
 

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Bernadete Valadares
Bernadete Valadares
24 de jul. de 2025

Emocionante!

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