Como neutralizar meus pontos fracos?
- Fernanda Mendes

- 4 de jun. de 2018
- 4 min de leitura
Atualizado: 5 de jun. de 2018
Há algum tempo recebi de um jovem (que vou chamá-lo aqui de Augusto só para não expor o nome verdadeiro dele) um desabafo e uma pergunta:
_ Atualmente faço muito esforço pra ser quem eu não sou. Estou cansado de gastar energia em tentar melhorar um ponto fraco meu; e sinto que não evoluo em nada. Isso me entristece, me frustra e me angustia, porque meus pais me cobram o tempo todo que melhore nisso...
_ Você precisar neutralizar seus pontos fracos, Augusto!
_ Mas como neutralizar meus pontos fracos, Fernanda?
Nesse momento deixei que o silêncio prevalecesse por alguns minutos. Apenas o olhei carinhosamente. Até que me lembrei de um relato que li em uma de minhas leituras. E disse-o:
_ Augusto, quero tentar expandir sua mente para que comece a ver o que ainda não consegue ver. Algo que pode lhe ajudar nesta sua angústia de tentar melhorar seus pontos fracos.
O relato é de um pai que contava neste livro a experiência da sua esposa que recebeu um chamado para ir ao colégio do filho participar da reunião de pais. Logo a esposa percebeu que não se tratava de uma reunião normal, pois logo a orientadora informou que, após a sessão em conjunto com todos os pais, ela gostaria de conversar com à sua esposa em particular. A esposa ficou apreensiva. Que assunto a professora queria tratar? As duas foram para uma sala reservada.
_ Claudia, lamento informar que seu filho Pedro é o pior aluno da classe. Não consegue prestar atenção às aulas e perde muito tempo em conversas paralelas. Além disso, não faz as tarefas de casa e não estuda para as provas. Seu desempenho é sofrível, ele é distraído, parece viver no mundo da lua. Não sei o que fazer para resolver esta situação.
Evidente Claudia estava completamente despreparada para ouvir todo aquele rosário de críticas, reprovações e censuras. Qual mãe teria provisão emocional diante de tal situação? Ela começou a chorar ali mesmo e assim continuou por todo o caminho até chegar em casa. Em sua mente, havia um só pensamentos: “E agora? O que fazer para reverter essa situação? E, acima de tudo, recuperar a autoconfiança e autoestima de meu filho?
Naquele instante, algo em seu íntimo dizia que ela não podia chegar em casa e descarregar sobre a criança, à época com 14 anos, todas essas críticas que a professora acabara de fazer. Assim Claudia entrou, ela percebeu que o garoto estava mais nervoso e apreensivo do que ela. Durante alguns instantes, ninguém falou nada. Era um silêncio total. Pedro rompeu aquela incômoda situação:
_ Mãe, você falou com a professora?
_ Falei, meu filho.
_ E o que ela disse?
_ Quer saber mesmo? Num ímpeto, que a Claudia chama de inspiração divina, ela começou assim:
_ Sabe Pedro, sua professora disse que você é um dos alunos mais inteligentes da classe. Acrescentou que você é muito capaz e que tem grande respeito por você;
_ É mesmo, mãe? Ela disse tudo isso? Será que ela não me confundiu com algum outro aluno?
_ Tenho certeza que ela não se confundiu, não. Mas ela comentou também que você tem alguns probleminhas que muitas vezes te atrapalham...
_ Que probleminhas, mãe?
_ Contou que você gosta de conversar com os amigos enquanto ela explica a matéria. Disse que às vezes você não leva a tarefa de casa feita, e que ela anda muito desconfiada de que você não está estudando tanto quanto deveria para as provas. Por isso, o seu resultado no boletim está muito baixo. Mas ela disse que você pode se tornar o melhor aluno da classe. Basta você ficar atento, se concentrar mais nas aulas, se preparar melhor para as provas e sempre trazer a lição de casa em dia.
_Tudo isso, mãe? Mas pode ser resolvido, não é mesmo?
_ Meu filho, você promete que vai fazer tudo o que puder para se tornar o melhor aluno da sala?
_ Prometo, prometo, mãe.
Ali mesmo na cozinha os dois se abraçaram. Claudia saiu esperançosa de que uma mudança ocorreria. Pedro por sua vez saiu reconfortado com o relato da mãe e o incentivo que recebera.
Dois meses depois daquele “temível” encontro, Claudia voltou ao colégio, desta vez para participar da festa junina. Em dado momento, quem ela encontra no meio da festa? A orientadora que correu para cumprimenta-la:
_ Claudia, eu queria lhe dizer algo. Você está de parabéns. Não sei que tipo de castigo ou disciplina você deu o seu filho após nosso encontro, não sei o que você disse para ele, mas depois de nossa conversa o fato é que ele mudou completamente. Hoje ele é o meu melhor aluno!
Quando terminei de contar esta história para Augusto, questionei:
_Augusto, o que fez Pedro passar do pior aluno da sala para o melhor aluno?
_ Sentir-se reconhecido e valorizado pela “professora” em suas virtudes e o incentivo da mãe carregado de amor e confiança.
_Perfeito, Augusto! É dessa forma que você consegue neutralizar seus pontos fracos. E se ninguém te ajuda a fazer isso. Você precisa fazer. Olhe para você e faça-se duas perguntas:
Como reconhecer minhas virtudes e potencializar essas virtudes?
É muito melhor capitalizar sobre o que fazemos de melhor, em vez de tentar compensar nossas fraquezas. Sim, é preciso reconhecer que todos nós temos fraquezas e limitações, não somos perfeitos. Mas ficar neuróticos em nossas imperfeições pode nos levar a equívocos, dissabores e custar muito tempo, que é a moeda mais importante hoje em dia.
Muitas vezes tentando encobrir nossos pontos fracos, ficamos ainda mais vulneráveis. O importante é saber quais são, reconhecer e compreender isso para se posicionar diante das situações. Não estou falando em esquecer que os defeitos existem e tampouco alardear que somos fracos aqui e ali, estou afirmando que não devemos perder tempo tentando consertar esses “defeitos” ou tentar trabalhar em aquilo que não somos bons, mas sim concentrar esforços e energia para operar no que temos ou sabemos de melhor. Então, capitalize o que você tem de melhor e já estará neutralizando seus pontos fracos.
Percebi em Augusto atenção e brilhos nos olhos de quem viu uma saída naquele túnel escuro ao ouvir tudo isso.
Portanto, convido você que é pai, mãe, professor ou líder, a observar sua maneira de tentar ajudar seu filho, seu aluno e sua equipe. Pare agora e com toda sinceridade do mundo pense e responda para você mesmo: ajo como a professora ou como a mãe da história?
Encerro lhe dizendo duas coisas: Sempre há tempo para sermos melhores. E sempre podemos ser melhores.
Com carinho e amor,
Fer
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