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DIFICULDADE EM DIZER “NÃO” – PARTE I

  • Foto do escritor: Fernanda Mendes
    Fernanda Mendes
  • 4 de jul. de 2018
  • 3 min de leitura

Dizer “não” é uma dificuldade para você? Ou você conhece alguém que tenha esta dificuldade?


Se sim, vamos então refletir um pouco neste assunto que impacta muito as nossas vidas.

Muitos sofrem com a falta desta habilidade tanto para dizer um “não”, como para receber um “não”. Mas por hora, vamos refletir sobre a dificuldade em dizer “não”.


E a pergunta que lanço para começarmos a refletirmos este tema é:


Por que é tão difícil dizer "não?"


Se fosse algo apenas racional seria muito fácil. Era só decidir dizer "não", e pronto. Estaria tudo resolvido. Mas não é bem assim que funciona. Existem vários fatores emocionais, alguns conscientes e outros inconscientes por trás desse tema que é complexo. Porém, se queremos seguir em frente em busca do nosso crescimento e desenvolvimento humano, tanto no campo pessoal como profissional, precisamos entender e trabalhar esta dificuldade.

E o primeiro passo para vencer esta dificuldade é descobrir quais sãos os fatores por de trás. Quais as raízes para que não consigamos dizer "não"? E por que sofro tanto quando finalmente consigo dizer um "não"?

IMPORTANTE: é muito difícil conseguir explorar cada um dos fatores por trás desta dificuldade de dizer "não". Não existe na verdade uma lista enumerada contendo todos os fatores. Porque isso envolve a história de vida de cada ser humano e todas as experiências vividas por ele desde a infância. Portanto, vou explorar em dois posts apenas os dois fatores que considero mais comuns.

1. Sentimento de Culpa e Pena

Para começar a explorar este fator, quero lhe contar um relato de uma mãe e minha amiga que ouvi e acompanhei bem de perto. Ela também sofria com esta dificuldade de dizer “não”. E esta dificuldade aflorava especialmente na educação do seu filho. Certa vez ela me relatou que havia colocado o filho de castigo porque ele havia tirado notas baixas na escola. A mãe o proibiu de sair no final de semana para se divertir. Mas neste justo final de semana ia ter uma festa muito legal que o filho estava louco pra ir.

Vendo o "sofrimento" e ansiedade do filho, ela sentiu muita pena e quis voltar atrás. Daí eu a questionei se dessa forma o seu filho iria um dia respeitá-la? Se ela não sabia segurar o que havia sido decidido, não sabia se impor.

Vi que ela não gostou dos meus questionamentos. E soltou a seguinte frase: "se para as pessoas me respeitarem eu tiver que ser uma pessoa cruel, eu realmente nunca vou conseguir que me respeitem".

Bem, meu trabalho como Coach é questionar. É fazer perguntas capazes de nos paralisar por alguns momentos. Perguntas que nos joguem para dentro. E lá dentro encontrar as respostas capazes de nos transformar.


Foi aí que fiz a pergunta que a paralisou por alguns minutos:


_ Escuta, dizer “não” para você é uma forma de ser cruel?


Ela demorou para responder. Parecia que a pergunta entrava rasgando. Até que respondeu:

_ Sim!

Ao afirmar isso, mais imersa ela ficou. Como se tivesse encontrado algo dentro dela que ainda não conhecia a partir do momento que encarou aquela pergunta e aquela resposta dentro dela. E este algo parecia ser avassalador! Porque a expressão do seu rosto me revela isso. E de repente ela começou:


_ Fernanda, durante toda a minha infância eu recebi muitos nãos da minha mãe. "Não podia brincar, não podia ter carinho, atenção, afeto, não podia ser criança, não podia ter aquele brinquedo, não podia ter tal roupa, não podia isso, aquilo etc."

Veja bem: para ela o "não" que ela tanto recebeu na infância, negavam necessidades básicas físicas e emocionais. Isso a afetou de tal forma, que dizer "não" para ela estava associado a fazer o outro sofrer, a ser cruel.


O ato de dizer "não" automaticamente a conectava de forma inconsciente a todo o sofrimento que ela passou na infância.


O resultado disso é que se ela dissesse "não", ela se sentia uma pessoa má, cruel, culpada e injusta. E para não sentir tudo isso, adotou o comportamento extremo oposto e desenvolveu um medo, uma dificuldade terrível de negar qualquer coisa para não fazer o outro sofrer o que ela sofreu.

Ali, naquele exato momento ela chegava na raiz da sua dor e dificuldade de dizer "não". Com isso ela pôde entender e começar a trabalhar esta dificuldade. Como muito bem diz um ensinamento que concordo e gosto muito:


“Aquilo que é oculto eu não posso fazer nada. Aquilo que é consciente é trabalhável. ”


O entendimento da raiz expande nossa mente. Ele é um passo fundamental e primordial para toda cura e transformação que precisamos viver. Especialmente, para tudo que envolve nosso emocional.

Na reflexão da semana que vem, vamos refletir o segundo fator que em muitos casos está por trás dessa dificuldade de dizer “não”.


Boa semana!


Com carinho e amor,

Fer



 
 
 

4 comentários


Fernanda Mendes
Fernanda Mendes
03 de ago. de 2018

Oi, Joana! Concordo com você sobre a questão da maturidade, e amadurecer é um processo contínuo. Porém, o questionamento que sempre me faço ao observar as pessoas é: será que as pessoas querem amadurecer? Estão abertas para isso? Quando queremos e estamos abertos, é sofrido, mas é libertador! Na medida que vamos evoluindo e amadurecendo em todas as áreas de nossas vidas, a vida vai ficando mais leve e ao mesmo tempo a encaramos com mais seriedade, nossas decisões ficam mais intuitivas e certeiras. Você não perde mais tempo com o que não importa para você, aprende a dizer mais "nãos" do que estava acostumado a fazer, pois sua energia estará direcionada a alguns "sins" certeiros. E, o melhor Joana,…

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Joanadarkaparecida Borba
Joanadarkaparecida Borba
23 de jul. de 2018

Oi Fernanda, agora que li os dois. Amei!

Precisava ter lido esses textos há anos atrás. Acredito e entendi que a maturidade nos faz compreender melhor os fatos, a vida, enfim, o nosso interior e nossas atitudes. Continue escrevendo nesta linha de pensamento. Adoro ler e refletir seus textos.

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Ana Emilia Albino
Ana Emilia Albino
10 de jul. de 2018

Excelente! Aguardando o próximo.

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Bernadete Valadares
Bernadete Valadares
10 de jul. de 2018

Parabéns! Gostei de parar e refletir com você!...

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