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UM DIVISOR DE ÁGUAS

  • Foto do escritor: Fernanda Mendes
    Fernanda Mendes
  • 10 de dez. de 2018
  • 3 min de leitura

No meio do ano de 2017, eu tive a oportunidade de trilhar o caminho de Santiago de Compostela por uma das rotas portuguesas. Para mim, essa viagem foi um divisor de águas em minha história. Período de profunda reflexão e descoberta.


Todo bom viajante sabe que a jornada começa muito antes do embarque. No meu caso não foi diferente. Preparei-me por alguns meses para não sofrer desnecessariamente. Treinei meu corpo para suportar longas caminhadas, li bastante sobre os melhores equipamentos e roupas, estudei o percurso, conversei com peregrinos experientes... Tudo isso foi importante, mas a prática sempre reserva suas surpresas.


No primeiro dia de caminhada, passei mais de uma hora perdida. Acabei precisando mudar de rota para então encontrar as setas amarelas e seguir viagem. Passei, portanto, a peregrinar pelo Caminho da Costa ao invés do - tão por mim estudado - Caminho Central. Percebi que, em tão pouco tempo, grande parte de minha preparação (mapas, lista de albergues, locais para fazer uma boa refeição...) havia caído por terra. Aff, que sensação de insegurança! Na hora pensei: agora sou só eu e você, Deus.


Prossegui assim, eu e Deus, até o albergue da cidade onde os peregrinos costumam pernoitar. Cheguei à primeira cidade de pouso daquela rota (Caminho da Costa) usando a estratégia de seguir os mochileiros à minha frente. Cansada e feliz por ter cumprido a primeira meta tive uma surpresa: o albergue municipal do vilarejo estava lotado e não havia outro local disponível para pernoitar. Aff, que sensação de insegurança! Logo a felicidade se transformou em decepção e as poucas forças que me restavam foram canalizados em choro.


Movida por dó, a recepcionista do hostel disse que iria verificar o que poderia fazer por mim. Foi quando me ofereceu um colchão (fino e estreito) para que eu dormisse no chão da cozinha do albergue, depois que todos se deitassem. Nossa, que alívio! Eu nunca fui tão verdadeiramente grata a Deus (e a uma recepcionista). Percebi quantas noites na vida eu havia dormido em cama espaçosa e quentinha e nunca tinha agradecido ao Senhor por isso. Naquele momento, muitas “fichas caíram”. Sem dúvida esse foi o dia mais difícil de toda a minha trajetória rumo a Santiago. Seguramente esse também foi o dia de maior reflexão e aprendizado de toda a viagem. Experimentei então o que eu já havia ouvido dizer:


"O Período de sofrimento é momento de profunda evolução".

Uma dessas reflexões foi justamente sobre a caminhada da Sagrada Família rumo a Belém. Imaginei o sofrimento daquele casal ao caminhar longa distância naquela condição: Maria grávida de nove meses. Eu carreguei uma mochila de sete quilos nas costas e pude ver o tanto que é sofrido peregrinar portando peso extra. Agora imagine viajar – mesmo que em cima de um jumento – carregando na barriga por volta de doze quilos a mais. Eu canso só de pensar! Fora os possíveis incômodos nos pés. Qualquer pedrinha ou bolha, por menor que seja, é capaz de impossibilitar a continuação da viagem. Hoje em dia nós temos os mais tecnológicos calçados, mas, naquela época, a coisa era diferente (sandálias franciscanas). Eu até vi alguns peregrinos calçando papetes e meias. São José não teve essa moleza não! Afinal, usar papete e meia é coisa de “Nutella” e José era “raiz”!


Por eu ter vivido na pele o desespero que dá por não encontrar lugar onde se hospedar, fiquei imaginando como deve ter sido para Maria e José ouvir que não havia quarto vago nas hospedarias. Isso por si só já seria agoniante. Acrescente à cena um detalhe: Maria estava preste a dar a Luz. É ou não é para desesperar qualquer ser humano?! Como você reagiria a essa situação? Eu mesma acho que murmuraria bastante. No mínimo um pensamentozinho petulante passaria pela minha mente: - Como assim, Deus, eu estou carregando o Seu filho no ventre e você deixa isso acontecer comigo.


Pela fé, tenho certeza que a reação do casal foi bem diferente. Penso que, assim como eu fui grata por um pequeno colchão no primeiro dia de caminhada rumo a Santiago, Maria deve ter rendido graças a Deus por terem encontrado aquela manjedoura. Vou além. Ouso imaginar a mãe de Jesus tomada por um profundo sentimento de gratidão por todos os dias da vida em que teve teto para passar a noite.


É... viver em Deus não é fácil. A palavra estabilidade não faz parte do roteiro. Desde a concepção até a morte (ou melhor, até a ressurreição), a vida de Jesus foi uma grande aventura de amor. E aí, vai encarar caminhar com Jesus? Se esse for seu desejo, sugiro que neste Natal embrulhe sua decisão e se una aos Reis Magos na entrega dos presentes.


Escrito por:

Emanuele Oliveira - Brasília/DF

E-mail: seuimpulsoespiritual@gmail.com




 
 
 

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