VAMOS CRITICAR?
- Fernanda Mendes

- 28 de ago. de 2018
- 5 min de leitura
Qual o meu grau de maturidade em oferecer e receber uma crítica?
Trabalhar este aspecto da maturidade humana se faz urgentemente necessário. Basta navegar por 5 minutos em suas redes sociais para ver que somos uma sociedade rasa, debatedora furiosa de manchete de facebook. E me alarma observar que este aspecto é muito pouco ou quase nada trabalhado, primeiramente dentro de nossas famílias. Os pais formam seus filhos com a maturidade para oferecer e receber uma crítica? E os nossos professores, estão preparados e estão preparando nossos jovens para esta habilidade indispensável para uma formação de uma sociedade madura? Nossos governantes, são maduros neste aspecto?
Existem pessoas que amam uma crítica. E existem pessoas que odeiam. E tem uma razão simples para isso. A qualidade da crítica e sua eficácia dependem da maturidade de quem está dando e de quem está recebendo essa sugestão. Disse sugestão, porque não consigo enxergar uma crítica direcionada a mim que não seja uma sugestão à mudança. Como um convite. E nós sabemos que tanto um convite como uma sugestão, só aceitamos se quisermos. E quando aceitamos uma crítica madura, aceitamos o convite de mudança. Só assim entendo o termo: “crítica construtiva”. Ela só se tornará construtiva se você permitir. Do contrário, de nada adianta alguém lhe conferir uma crítica de forma madura se você não estiver maduro o suficiente para recebe-la.
Então, vamos agora começar a refletir se estamos maduros ou não em nossa capacidade de receber uma crítica? E como faremos isso? Faremos isso da maneira mais simples, porém eficaz e profunda. O primeiro sinal, início do processo de amadurecimento pessoal no aspecto que estamos trabalhando hoje, é o começo da autorreflexão, da autoanálise e da autocrítica. É isso que faremos agora ao encararmos as perguntas e as repostas abaixo:
IMPORTANTE: Se quer mesmo crescer neste aspecto, encare as perguntas com serenidade, sinceridade e profundidade. Portanto, busque ser o mais profundo e honesto possível nas respostas. Descarte por agora a objetividade. Dialogue com você mesmo. Questione-se sem medo!
01) É muito comum levar as críticas que recebo para o campo pessoal?
02) Vivo na dependência do que pensam e acham de mim?
03) Aceito serenamente a minha realidade pessoal? O meu positivo, minhas limitações, meus erros e minhas qualidades e virtudes?
04) Consigo aceitar com facilidade que toda crítica que recebo é uma oportunidade de crescimento?
05) Talvez você não concorde com aquilo que esteja sendo falado. Sem problema, nem todas as sugestões entenderão o contexto no qual você vive e serão justas. Mas em vez agradecer e dizer que nunca tinha visto as coisas dessa maneira e que prestará mais atenção no futuro, você costuma rebater e entrar na ofensiva?
06) Com facilidade crio uma briga gigante e desgastante por discordar de uma crítica que recebi?
07) Com facilidade tenho insônia e fico remoendo negativamente dias e dias quando recebo uma crítica?
Bem, acho que com essas perguntas e com as respostas que encontrou ou ainda encontrará, você tenha detectado qual o seu grau de maturidade ou imaturidade na arte de receber uma crítica.
Apenas um detalhe que considero importante lembrar. O ponto não é aceitar sempre qualquer crítica calado, sofrer, querer mudar etc. O ponto é aprender o que for possível de cada crítica. Se julgar necessário, você pode e deve até explicar o seu ponto de vista, com calma e clareza, e se realmente não tiver sentido a crítica, pode descartá-la. Simples assim! Mas sinceramente nunca vi alguém realmente crescer ao começar uma briga gigante e desgastante por discordar de uma crítica que recebeu.
Uma pessoa madura neste aspecto de receber e oferecer uma crítica, elabora um mecanismo "quase automático" de auto avaliação, de crítica sobre os fatos, sobre si e sobre os outros, porque sabe que ele, assim como os outros podem errar ou até mesmo mudar de opinião.
Li algo que gostei demais sobre o processo natural de mudança de opinião. Escrito pelo Empresário Flávio Augusto da Silva:
“Mudar de ideia requer senso crítico, inteligência e humildade. Senso crítico pra detectar que errou; inteligência pra concluir que continuar cometendo o erro não é razoável e humildade para tomar outro caminho. Este é o processo de mudança de ideia. Permanecer no erro é burrice. ”
Agora, como consigo avaliar meu grau de maturidade para oferecer uma crítica?
Primeiro é importante ter claro qual a finalidade da crítica?
A finalidade é a análise atenta e, quanto possível, objetiva, do modo de agir das pessoas e do acontecer na sociedade. Isto supõe um processo de identificação de causas, de avaliação de situações e comportamentos e da procura de novas soluções, e não de críticas idiotizadas, infundadas e superficiais. Ou seja: você não conhece com profundidade aquilo que critica e muito menos as possíveis soluções para aquilo que critica. Resumindo em uma só frase: a finalidade da crítica é sugerir crescimento.
Portanto, questione-se:
08) Quando critico alguém ou algo, conheço com profundidade aquilo que crítico? Ou geralmente ouço terceiros criticando e saio feito um papagaio idiotizado esparramando as mesmas críticas sem nenhuma base ou pouca base de argumentação?
09) Ofereço possíveis caminhos de melhoria quando apresento uma crítica?
10) Me dou ao trabalho de antes de formular uma crítica, analisar e avaliar os fatos?
11) Me dou ao trabalho de antes de formar uma crítica e apresentá-la, de fazer minha autorreflexão, autoanálise e autocrítica?
12) Ao gerar uma crítica, faço-a com o diálogo construtivo, no respeito consciente da opinião alheia que me ouve?
13) Costumo direcionar minhas críticas a terceiros ao invés de direcioná-los, se a posso fazê-la, diretamente ao interessado?
14) Reconheço com sinceridade os aspectos positivos da pessoa ou do fato que crítico?
15) O que realmente pretendo gerar ao fazer uma crítica?
Bem, acredito que as respostas que você encontrará nessas perguntas, lhe darão indícios suficientes, caso você mergulhe nelas e nas respostas com sinceridade e profundidade, para saber como anda seu grau de maturidade na arte de criticar.
Não existe uma fórmula para gerar uma crítica madura. Mas existe alguns pontos que considero importantes para amadurecermos nesta prática.
Em primeiro lugar, um reconhecimento sincero dos aspectos positivos da pessoa ou do fato em avaliação. Sempre existem aspectos positivos. Não descobri-los é sinal de imaturidade. Quem não os descobre, não os quer reconhecer ou não está preparado para uma crítica madura.
Mas seja verdadeiro em cada linha de sua crítica. Não finja, não minta.
Procure não julgar as intenções. O terreno da intencionalidade é o mais oculto e íntimo do ser humano. Estamos sempre correndo o risco de errar no nosso julgamento a respeito dos outros. Inclusive porque nem nós mesmos, em certas ocasiões, estamos conscientes do "porquê" motivador do nosso agir… (Quem de nós ainda não disse: porque fiz isso…?) Consequentemente, se nós mesmos desconhecemos nossas motivações mais ocultas, seria justo nos conceder o direito de interpretar e julgar o outro?
E não poderia deixar esta oportunidade para lembrar-vos da exortação de Jesus sobre o julgamento:
"Não julgueis, e não seres julgados. Porque do mesmo modo que julgardes, sereis também vós julgados e, com a medida com que tiverdes medido, também vós sereis medidos. Por que olhas a palha que está no olho do seu irmão e não vês a trave que está no teu? " (Mt. 7, 1 3)
E a belíssima frase de Madre Teresa de Calcutá:
“Quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las. ”
O melhor é relatar de forma clara e especifica o que realmente aconteceu, que não tenha acontecido há muito tempo e que realmente importe para a pessoa.
O foco da crítica deve ser em como melhorar. Portanto, não encerre jamais uma crítica sem sugerir soluções para a situação problemática.
Por último, se você precisa oferecer uma crítica a alguém, faça-o diretamente se for possível. Não critique essa pessoa a terceiros, isso além de imaturo é irrelevante, pode virar fofoca em vez de algo que vai ajudar.
E jamais se esqueça que a característica de uma crítica ou autocrítica madura é o dinamismo e o entusiasmo para melhorar e crescer. Assim, tal tipo de crítica é sempre um estimulo para as pessoas maduras. Pois se eu "afundo", se me "magoo" em excesso, se fico "ferido" quando me criticam, certamente será:
ou porque psicologicamente não sou maduro.
ou porque a crítica não foi objetiva, construtiva e madura.
Com carinho e amor,
Fernanada Mendes






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